POR QUE AS CRIANÇAS PRECISAM APRENDER A NOMEAR EMOÇÕES?


A importância de Nomear Emoções

Estudos atuais das Neurociências apontam que, para o pleno desenvolvimento da criança, nos diferentes ambientes pelos quais circula, além das competências cognitivas, devem ser trabalhadas também as competências socioemocionais ou não cognitivas. As crianças lidam diariamente com muitas emoções. Sentem raiva, alegria, tristeza, frustração e reagem a esses sentimentos de muitas maneiras –ficam eufóricas, gritam, ficam bravas e, por vezes, o fazem de maneira inapropriada. Vale dizer que todas as emoções são constitutivas dos seres humanos. Sem elas, não teríamos evoluído ou sobrevivido em outros tempos históricos.

A necessidade de saber identificar, reconhecer, entender e comunicar as emoções é bastante destacada no trabalho com as competências socioemocionais e tais habilidades são muito importantes para o processo de desenvolvimento saudável e integral das crianças. Essas emoções interferem na vida delas, mas, quando devidamente reconhecidas e nomeadas, além de percebidas entre elas mesmas e adultos, as auxiliam a se relacionar consigo mesmas e com os demais de maneira menos conflituosa.

Pais e professores podem e devem auxiliar a criança a expressar seus sentimentos, todos e qualquer um deles. É necessário criar oportunidades para que os identifiquem e nomeiem em si próprios e nos colegas, para quebrar paradigmas impostos e possibilitar um processo de amadurecimento mais efetivo.

Conversar com as crianças sobre sentimentos ou sobre uma atitude que reconheçam como positiva e da qual se orgulhem, proporciona um espaço de validação para que a criança passe a agir mais tranquilamente durante esse processo.

Encorajar a criança a falar sobre seus próprios sentimentos, ao invés de reagir a eles julgandoos, é fundamental. Apoiá­la, enquanto está se manifestando, ensinando novas maneiras de se expressar e novas estratégias como, afastarse do conflitou ou pedir o auxílio de um adulto, devem ser desenvolvidas. Incluir respiração abdominal, pedir ou oferecer um abraço quando ela está triste, agitada ou eufórica, também são exemplos de estratégias protetoras para a criança.

Utilizar uma lista de palavras que amplie as possibilidades de expressão da criança é útil no sentido de construção conjunta de um repertório que auxilie a adequada expressão de sentimentos, criando um espaço de apoio, harmonia e saúde. Desta maneira, por exemplo, além de dizer que está triste ou brava, a criança poderá usar as seguintes palavras para melhor descrever o que sente: impaciente, com raiva, ansiosa, tensa, desconfortável, solitária, envergonhada, frustrada ou desapontada. Para situações nas quais está se sentindo muito feliz ou alegre: satisfeita, orgulhosa, aliviada, triunfante, eufórica, animada, entre tantas outras.

Quando as crianças entendem as emoções e as comunicam de maneira assertiva e eficiente, elas podem e conseguem, ao reconhecê­las, escolher melhores estratégias para resolver problemas e lidar com eventos negativos, ou positivos, desenvolvendo, gradualmente, a percepção sobre a perspectiva do outro.

Sugestão de atividade:

Para as crianças menores, apontar figuras com imagens de crianças felizes, tristes, zangadas, vibrantes e procurar relacioná­las a possíveis contecimentos é uma maneira de colocá­las em contato com os sentimentos próprios e de outros. Empregar palavras que a criança possa entender, usar filmes e livros também são boas maneiras de desenvolver um trabalho produtivo.

Sandra ​​Vasques de Araujo Graduada em Pedagogia, Psicopedagogia e Pós graduada em Gestão e Currículo, atua na Educação há 34 anos, nos segmentos da Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II. Paralelamente, atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem, além de fazer orientação de pais, supervisão de educadores e grupos de estudo sobre diferentes temas. Como formadora de professores e gestores trabalhou junto ao CENPEC, Fundação Lemann, Instituto Vila Educação e Instituto Singularidades Integra a equipe Mindset Education. http://mindseteducation.com.br/

http://afterschool.net.br/

Fontes:

http://csefel.vanderbilt.edu/documents/teaching_emotions.pdf (2016-06-09)

http://www.child­encyclopedia.com/sites/default/files/docs/coups­oeil/emotions­info.pdf (2016-06-09)

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