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APRENDIZAGEM NA PRIMEIRA INFÂNCIA

  • 19 de mai. de 2016
  • 4 min de leitura

A aprendizagem nos primeiros anos de vida constitui a base que permitirá todo o desenvolvimento posterior.

O cérebro começa a se desenvolver nas primeiras semanas da gestação, com a formação das células primordiais que darão origem aos chamados neurônios, e das conexões entre os neurônios denominadas sinapses. A estrutura do cérebro é altamente complexa, formada por uma extensa rede de circuitos dos neurônios e seus prolongamentos entre as diversas regiões cerebrais. O processo de desenvolvimento e amadurecimento é contínuo durante toda a infância e adolescência e, para determinadas regiões cerebrais somente se completará no início da idade adulta. Mas, mesmo após o período de maturação, o cérebro continua a se modificar!

Um conceito fundamental em neurociência é o da Plasticidade Cerebral. “Plastos” deriva do grego e significa moldado, que tem capacidade de mudar de forma. O cérebro é um órgão em constante remodelamento em resposta às experiências. Durante toda a vida podemos produzir novas sinapses. As sinapses mais utilizadas se fortalecem, enquanto as que não são utilizadas tendem a enfraquecer, sofrendo a chamada poda sináptica. A formação de novas sinapses e os processos de poda, além de outros mecanismos, estão agrupados no conceito de Plasticidade. Há uma distinção entre a plasticidade que existe durante toda a vida, que é influenciada pela experiência – aprendizagem dependente de experiência – e a que ocorre nos primeiros anos, que necessita de experiência para começar a se desenvolver – aprendizagem expectante de experiência.

A Primeira Infância, fase compreendida entre 0 a 6 anos é um período crucial de profunda remodelação cerebral. Nessa fase ocorrem os chamados Períodos Sensíveis: momentos nos quais circuitos cerebrais específicos para formação de determinadas habilidades têm maior plasticidade e melhor resposta à determinada experiência ambiental. É o que acontece com a visão e a audição, por exemplo, que necessitam da exposição ao estímulo luminoso e sonoro respectivamente para que as áreas cerebrais responsáveis pelo processamento sensorial se desenvolvam. Por exemplo, a ocorrência de fatores que impeçam ou atrapalhem a visão do bebê, como a catarata congênita, deve ser tratada no início da vida para permitir que a plasticidade cerebral na área da visão seja o mais efetiva possível.

Quanto à linguagem, sabemos que os bebês nascem com a capacidade de distinguir os sons de todas as categorias fonêmicas existentes. Ao longo do primeiro ano de vida, em função dos sons dos idiomas aos quais os bebês são expostos, a capacidade de discriminação fonêmica universal vai se especializando. Para a pronúncia e proficiência gramatical o período sensível se estende até a adolescência. Há evidências extensas que apontam que o desenvolvimento da linguagem na primeira infância é base para o aprendizado pleno da língua posteriormente e está diretamente relacionado ao sucesso na alfabetização e no desempenho escolar.

As funções cognitivas mais complexas, como atenção, memória e raciocínio, por exemplo, também começam a se desenvolver na primeira infância, por meio de habilidades como: controle de impulsos, capacidade de redirecionar atenção e de memorizar regras. Os circuitos cerebrais responsáveis por tais funções são refinados durante adolescência até o início da vida adulta, mas as conexões fundamentais começam a se estabelecer ainda nos primeiros anos de vida.

Portanto, muito antes de a criança entrar na escola, ela aprende em todos os contextos de seus relacionamentos afetivos: em casa com os pais e cuidadores, nos ambientes de educação infantil, nos locais de recreação. A criança está sempre aprendendo!

Os períodos sensíveis são momentos que permitem a construção ótima de habilidades, mas também representam uma janela de vulnerabilidade a potenciais efeitos nocivos do meio. Na primeira infância a estrutura cerebral é altamente receptiva e a ausência de estímulos adequados, ou a ocorrência de estímulos negativos, podem deixar marcas duradouras. Uma famosa metáfora para ilustrar o desenvolvimento desse processo compara a construção da arquitetura do cérebro com a arquitetura de uma casa. Durante os primeiros anos de vida ocorre a formação da base, dos alicerces, da fundação e do piso de uma casa. A partir de uma estrutura sólida e firme podem, então, ser construídas as paredes, as aberturas e o teto, dando funcionalidade à casa. Se desde a fundação da obra houver irregularidades, com falhas e defeitos não corrigidos, todas as etapas da construção a seguir também serão prejudicadas. Ademais, o custo para se corrigir esses defeitos e o tempo necessário para arrumar as falhas são mais altos e mais difíceis quanto mais avançada estiver a obra. Por outro lado, se as correções de problemas forem realizadas ainda na construção da base, o resultado final poderá ser o mais próximo do desejado possível. Assim, as capacidades que começam a se desenvolver ao longo dos primeiros anos são pré-requisitos fundamentais para o sucesso ao longo de toda a vida, na escola, no trabalho e tem repercussão para toda a sociedade.

A promoção do desenvolvimento integral saudável, com nutrição e cuidados de saúde adequados, ambiente familiar afetivo, seguro e estimulante, relações estáveis e incentivadoras, além da oferta de educação de qualidade, fornecem o alicerce para que cada criança viva bem no presente e alcance seu potencial pleno no futuro.

Na Primeira Infância, toda a aprendizagem acontece por meio das relações que a criança experiencia. Os cuidadores devem estar atentos e devem dispender TEMPO interagindo com as crianças. Não é necessário que se invista em tecnologias, brinquedos e materiais dispendiosos. As crianças aprendem através de brincadeiras desafiantes e prazerosas, por experiências que estimulem seus sentidos e em contextos nos quais se sintam atendidas, protegidas e amadas.

Autora: Juliana Antola Porto é Médica Neuropediatra e Mestre em Neurociências pela PUCRS, foi visiting scholar no Programa de Mente, Cérebro e Educação da Harvard Graduate School of Education e research fellow do Laboratório de Neurociências Cognitivas do Boston Children’s Hospital, Harvard Medical School. É membro do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância. Integra a equipe Mindset Education.

http://mindseteducation.com.br/

http://afterschool.net.br/

Fontes:

FMCSV:

http://www.fmcsv.org.br/

http://www.fmcsv.org.br/pt-br/acervo-digital/Paginas/o-impacto-no-desenvolvimento-da-primeira-infancia-sobre-a-aprendizagem.aspx

Center of the Developing Child-Harvard http://www.developingchild.harvard.edu/resourcecategory/portuguese-resources/

12 comentários


Angus Cox
Angus Cox
há 2 dias

This is a wonderful article — the house-building analogy for brain development genuinely resonated with me, because it makes such an abstract concept feel tangible and urgent. The idea that early childhood is not just a window of opportunity but also a window of vulnerability is something more caregivers and educators need to understand deeply. It reminded me of conversations I've had with professionals at New Assignment Help – HR experts, who often highlight how employees with strong emotional regulation and cognitive flexibility tend to trace those strengths back to enriched early environments. It's fascinating how skills like attention, impulse control, and language — nurtured through simple play and loving interaction, not expensive toys — become the invisible scaffolding for…

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Robert Gandell
Robert Gandell
23 de fev.

This article beautifully captures something I've come to appreciate more deeply over time — the idea that learning isn't just about formal schooling, but about the quality of experiences and relationships a child has from day one. The analogy comparing brain development to building a house is particularly powerful; a shaky foundation truly does make everything built on top of it more fragile. As someone who now works in the education support space and regularly assists university students through Business Assignment Help UK, I often notice how many learners struggle not because they lack intelligence, but because certain foundational cognitive and emotional skills — attention, impulse control, language processing — weren't fully nurtured in those early years. It reinforces exactly…

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Johnpeter John
Johnpeter John
13 de jan.

Reading this post on early childhood learning made me pause and reflect on how much the first years of life quietly shape who we become, and I feel this strongly now that I’m doing my PhD while working part-time at Affordable Assignments, where I often assist students with Online HND Assignment Help. Maybe my connection to this topic comes from my own struggles during my college years. I went through a lot of academic hurdles, many of which might have been lighter if I had experienced more structured early learning myself. Because of that, I’ve developed a deep interest in helping others, not just academically but emotionally too, and this article reminded me how important it is to build those…

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Tony Wills
Tony Wills
09 de jan.

This overview beautifully highlights how crucial early childhood learning is in shaping brain development and lifelong capacity to learn. Understanding concepts like brain plasticity and experience-dependent learning really emphasizes why rich, supportive environments in the early years matter so much. It also reminds us that learning doesn’t stop after childhood—our brains continue to adapt throughout life, especially when we engage in meaningful experiences. For many learners later on, balancing education with other responsibilities can be challenging, which is why some turn to options like a take my online class service to manage workloads while continuing to grow and learn without unnecessary stress.

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beomgyu choi
beomgyu choi
08 de jan.

Many residents ask what is a carbon monoxide detector when planning a safe home environment, and UNICCM presents the facts clearly. A carbon monoxide detector senses a gas you can’t detect otherwise. UNICCM highlights that detectors should be near sleeping areas for maximum protection. Regularly testing your detector keeps everyone safe. Awareness makes prevention possible.


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